Carnaval
Carnaval Touteiro
- Distrito de Leiria
- | Concelho: Óbidos
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- Domingo, 22 de Fevereiro de 2026
22 de fevereiro
18h30
Igreja Matriz de São Martinho do Bispo, Coimbra
Igreja Matriz de São Martinho do Bispo, Rua Dom Pedro, São Martinho do Bispo, Portugal
Evento Gratuito
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Há momentos em que a música deixa de ser apenas som. Deixa de ser apenas ritmo, melodia, forma. Torna-se gesto. Torna-se voz interior. Torna-se liberdade.
Este concerto nasce dessa convicção: a de que a música pode dizer aquilo que, muitas vezes, as palavras não conseguem.
Beethoven compôs rodeado de silêncio. Um silêncio cruel, imposto pela surdez. E, ainda assim, nunca deixou de ouvir o mundo. Pelo contrário: ouviu-o mais fundo, mais intensamente, mais verdadeiramente. Transformou a dor em força, a limitação em criação, o isolamento em universalidade. A sua música não pede permissão. Avança. Afirma-se. Respira.
A Sétima Sinfonia é talvez o melhor exemplo disso. É movimento puro. É pulsação vital. É como se cada compasso dissesse: “Estamos vivos. E isso basta.” Richard Wagner chamou-lhe “a apoteose da dança”. Outros chamaram-lhe celebração. Outros ainda, resistência. Talvez seja tudo isso ao mesmo tempo.
Antes dela, a abertura “ao estilo italiano” de Schubert abre-nos as portas com leveza e entusiasmo. É o olhar de um jovem compositor que procura o seu lugar no mundo, experimenta, sonha, arrisca. Também isso é liberdade: a coragem de tentar ser quem ainda não sabemos que somos.
Neste concerto, não se escutam apenas obras-primas. Escutam-se histórias humanas. Histórias de luta, de dúvida, de esperança. Histórias que continuam a ser nossas.
A música surge aqui como um espaço onde podemos parar, respirar e sentir. Onde podemos, por instantes, libertar-nos do ruído do quotidiano. Onde podemos lembrar-nos de que a liberdade não é apenas um direito político, mas uma experiência interior: a de sermos fiéis ao que somos.
Antes do primeiro acorde, uma breve reflexão conduzida por Francisco Neves convida-nos a entrar neste universo. Depois, sob a direção do maestro João Ventura, a orquestra transforma pensamento em som, ideia em emoção, filosofia em vibração.
Num tempo em que tudo parece acelerado, fragmentado e urgente, este concerto é um convite raro: Parar. Ouvir. Sentir. Pensar.
E deixar que a música nos recorde que, apesar de tudo, ainda sabemos dançar por dentro.