Lisboa · Teatro

Mal na Raiz

Mal na Raiz

No coração de um bairro que será destruído para a construção de um hotel, Antígona dirige um coro de residentes. Neste espetáculo assistimos à sua defesa de uma cidade com escala humana, regida por valores humanistas, focada na construção dos seus cidadãos, e não no valor económico dos seus edifícios. Este projeto inscreve a resistência de Antígona na crise de habitação e urbanismo que vivemos, dialogando com a narrativa de Sófocles para refletir sobre que cidades desejamos.

34710. É o número de coletividades de cultura em Portugal. Lugares de reunião e assembleia, corações vivos nas cidades onde se inserem, ponto de encontro e comunidade. Em muitos casos, são refúgio e abrigo para aqueles que chegaram há pouco tempo a um território. E são o sintoma de uma forma de entender as cidades e os bairros como processos de construção das comunidades, que encontram na expressão humana e social o seu valor, contrastando com a dinâmica mercantilista que vai tomando conta das cidades, empurrando para fora delas as suas comunidades.

Agora que os centros históricos de cidades importantes, em Portugal e no mundo, são esvaziados de habitantes para dar lugar a hotéis, lojas de lembranças e roupa, e restaurantes de comida rápida, importa interrogar que cidades desejamos, que ideia de cidade queremos cultivar.

Inscrevemos Antígona nos nossos tempos, num quarteirão prestes a ser demolido para dar lugar a um hotel de luxo. Ao longo do espetáculo, assistimos ao confronto entre duas formas de encarar a cidade e encontrar nela valor. Por um lado, a resistência humanista e comunitária de Antígona; por outro, o oportunismo mercantil de quem só encontra na cidade o seu valor económico.

Antígona é uma figura de resistência que há dois mil anos inspira reflexão. Figura que não reúne consenso, encontramos para esta personagem correspondentes ao longo da História. Neste projeto, o público é convidado a fazer o mesmo exercício: encontrar um correspondente para o conflito de Antígona no mundo contemporâneo para inspirar um pensamento de resistência, em particular na crise da habitação nas cidades modernas, em que uma lógica mercantilista se sobrepõe às preocupações humanistas.

Onde o valor não está no indivíduo, mas no mercado. O espetáculo convida o público a refletir sobre que cidade desejamos e porque desejamos cidades assim. A possibilidade de o fazer em geografias com realidades urbanas diferentes permite aprofundar a reflexão, agregando também movimentos de migração internos, desertificando aldeias e vilas e, consequentemente, a vida coletiva nesses sítios.

O convite a coros amadores para integrarem o espetáculo em cada local de apresentação é uma forma de convidar a cidade a estar em palco, rimando com a origem dramática da Antígona de Sófocles, em que o coro representa isso mesmo: a cidade. Neste projeto, nomeiam-se relações contemporâneas que convidam a procurar compreender melhor os conflitos que já estavam presentes na tragédia de Sófocles.

Convocando este horizonte tão longínquo com uma dramaturgia original que o aproxima do nosso tempo, podemos ser levados a perguntar: onde nos trouxe o progresso?

Tome nota sobre Mal na Raiz:

DATA
14/10/2026 - 18/10/2026
HORÁRIO
19:00
qua a dom 19:00
LOCAL
Sala Bernardo Sassetti
BILHETES
€12, com descontos. Gratuito com Passe Cultura, disponível apenas na bilheteira do Teatro.
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A classificar pela CCE
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